sexta-feira, 26 de outubro de 2012
As duas mãos
Era uma vez dois espiritos que não se entendiam. Viviam em pé de guerra e tinham horror a visão um do outro.
Um belo dia... Deus, no alto de sua sabedoria, obrigou os dois espiritos a encarnarem nas mãos de um belo recém nascido.
Deste dia em diante começou uma história divertida em que mão direita e mão esquerda que não queriam se ajudar mas, obrigadas a conviver no mesmo corpo, tinham que ser unidas. Mas como?
No início uma atrapalhava a outra. Uma pegava um brinquedo e a outra derrubava. Uma punha o mordedor na boca e a outra tirava. Uma puxava a camisetinha para um lado e a outra para o outro. Durante esse período o jovem recém nascido se divertia muito com a confusão causada pelos dois briguentos.
O tempo passou e o bebe virou criança e agora obrigava as duas mãos a atrabalharem juntas, porém ainda sem muita harmoria. De vez em quando uma não ajudava a outra e a pobre criança passava por alguma situação vergonhosa como se sujar toda de sorvete ou derrubar o achocolatado na mesa do café... Coisa de criança, diziam os pais. Na verdade coisa de dois brigões.
O tempo passou mais um pouco e ambos foram aprendendo que se não trabalhasem juntos, para um bem comum, não haveria futuro para nenhum deles! Nesta faze da vida a criança já virou adolescente e sua duas mãos, antes brigonas, passaram a se entender bem, mas ainda sem nenhum vínculo de amizade.
E o tempo... como sempre passou mais um pouco. O adolescente, agora é um homem e é apresentado, por Deus, ao amor!
Ah, o amor! Os dois auxiliares do agora homem, suas mãos, são também apresentadas ao mais arrebatador amor! Conhecem duas mãos que, assim como eles, foram obrigadas a encarnar no corpo de uma recém nascida para aprenderem a se aceitar e ajudar uma a outra. Deste ponto em diante elas percebem que não há sentido nas brigas e desavenças. Elas hexistem para viver juntas, se ajudar e se amar.
Novamente o tempo passou e o casal agora conta com mais um par de espriritos rebeldes que foram forçados a encarnar num recém nascido. Eles se detestam hoje porém se amarão no futuro.
Todos nós somos como essas mãos. Um dia não suportamos a presença uns dos outros. Até que percebemos que precisamos uns dos outros para sobreviver. Com o passar do tempo percebemos que sobreviver não é suficiente e começamos a nos aprimorar e produzir com o trabalho em equipe. Até que um dia, enfim, percebemos que o motivo para tudo isso é o amor e que devemos orientar aos outros rebeldes que chegam a se ajudar e se amar.
Thiago Rosa
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